Editorial: A Plataforma Política Social e as Eleições de 2014

Na reta final da campanha eleitoral de 2014, as paixões políticas não pouparam sequer intelectuais que sempre mantiveram entre eles laços estreitos de apreço e solidariedade. Muitos membros-autores da rede Plataforma Política Social manifestaram críticas sobre os projetos de Marina Silva e Aécio Neves.

Surpreendentemente, essas contribuições ao debate de ideias foram interpretadas como instrumento de propaganda política da candidatura Dilma Rousseff. A suposição – errada – de que a Plataforma estaria organicamente ligada ao Instituto de Economia da Unicamp foi interpretada como uso político dessa instituição pública na campanha. Fomos cobrados a explicar os fundamentos éticos e legais deste posicionamento.

Não nos parece que haja o que explicar, mas, na condição de coordenador da Plataforma Política Social, em respeito aos colegas – bem como aos 280 membros, aos mais de 18 mil leitores (rede social) e às mais de 60 mil pessoas que recebem nossos boletins semanais –, quero prestar os seguintes esclarecimentos.

Somos Suprapartidários e Plurais

Exercitamos a pluralidade no debate acadêmico e político e refutamos as suposições da presença de quaisquer motivações ideológicas, partidárias e eleitorais em nossas publicações.

A rede é também multidisciplinar e suprapartidária. Nos dois anos de existência, estamos tentando pavimentar o difícil percurso de construir uma frente de debates aberta e democrática voltada para o intercâmbio de ideias sobre a superação do secular atraso social do Brasil, reunindo e consolidando ideias, propostas e alianças no campo progressista. A Plataforma convive com a pluralidade de ideias políticas e acadêmicas e não exerce veto de nenhuma natureza.

Contamos atualmente com 280 professores, pesquisadores, lideranças dos movimentos sociais. Reunimos alguns dos mais renomados especialistas em políticas públicas do campo progressista. São profissionais que atuam em mais de uma centena de universidades, centros de pesquisa, órgãos do governo, entidades da sociedade civil e núcleos do movimento social (1). Também temos a honra de contar com a contribuição de dezenas de destacados especialistas internacionais.

A adesão à rede é voluntária e os critérios que presidem a inclusão são a excelência acadêmica e a identificação com o projeto. A decisão de intervir no debate e a responsabilidade pelo conteúdo dos artigos são exclusivamente dos autores-membros.

Nesses dois anos de existência temos procurado contribuir para um intercâmbio altamente qualificado de ideias. Não cultuamos o pensamento único. Em muitos casos, prevalece a divergência sobre temas diversos. Essa virtude abre espaço para o contraditório. A elaboração de réplicas e tréplicas é sempre incentivada. A apresentação do contraditório está aberta a todos os colegas do meio acadêmico, mesmo daqueles que não fazem parte da rede.

Nosso DNA

Somos plurais e suprapartidários, mas temos um DNA: não nos alinhamos com o poder econômico e suas instituições financeiras, educacionais e midiáticas. Nossa atuação visa a fortalecer alianças com os movimentos sociais e organizações da sociedade civil, em sua luta por uma sociedade mais justa e inclusiva.

Buscamos construir pontes de “mão dupla”, para que os especialistas reduzam seu isolamento e superem a visão corporativa na forma de produção, atualizem suas agendas de pesquisa e aprendam com o cidadão comum e seu conhecimento de como enfrentar esta realidade. Sempre acreditamos que a unidade deve ser buscada na articulação da produção científica com a prática política de outros agentes sociais – única via para que se superem, de forma orgânica, os limites da atividade dos intelectuais.

Muitos de nossos parceiros são entidades da sociedade civil e do movimento social que exercem papel decisivo de pressão popular e democrática para evitar retrocessos e ampliar a cidadania política e social.

A Natureza da Parceria

A “parceria” se dá unicamente pela adesão voluntária de profissionais das diversas instituições à rede. Trocamos conteúdos, nos agregamos em torno de projetos comuns e divulgamos artigos e documentos de interesse recíproco. O trabalho cooperativo se dá em torno de projetos específicos, como a realização de seminários e a organização de livros.

A Plataforma não tem vínculo institucional com nenhum dos chamados “parceiros”. O Instituto de Economia da Unicamp é considerado parceiro, porque muitos dos seus professores e pesquisadores aderiram espontaneamente ao nosso projeto – após a realização de uma reunião para a qual todos os colegas foram convidados.

Nunca foi estabelecido qualquer vínculo com essa instituição. Nenhuma instância de decisão interna (congregação, comissão de pesquisa, departamentos) atesta essa articulação. Também não recebemos da instituição nenhum apoio financeiro, logístico, pessoal, instalações, material e outros para manter a rede em funcionamento.

Esclarecemos que o site da Plataforma Política Social não está hospedado no site do Instituto de Economia da Unicamp, como foi mencionado pelos críticos. O domínio www.plataformapoliticasocial.com pertence à rede e todos os custos envolvidos na sua manutenção são pagos pelos membros. Em reuniões iniciais, combinamos que as instituições parceiras poderiam, eventualmente, disponibilizar um link do site da Plataforma nos seus respectivos sites. Muitos desses parceiros assim o fizeram. Outros divulgam nossos conteúdos nos seus respectivos sites. Fazemos o mesmo, procurando difundir os trabalhos de todos.

Até o momento não tivemos apoios financeiros externos para cobrir os custos da manutenção da rede. A “equipe” é formada pelo jornalista Davi Carvalho. Na Revista Política Social e Desenvolvimento contamos com a contribuição de Thomas Conti (mestrando em desenvolvimento econômico pelo IE/UNICAMP) e João Miranda (graduando em comunicações e multimeios pela PUC-SP).

Em função da convergência de objetivos, recentemente obtivemos patrocínio da Fundação Friedrich Ebert para cobrir as despesas (editoração, revisão, divulgação) de oito números da Revista Política Social e Desenvolvimento.

Análises críticas à atuação governamental

Não alienamos o direito e o dever ético de analisar criticamente as ações de qualquer governo. Alguns exemplos deixam claro esse ponto com relação ao Governo de Dilma Rousseff (2011-2014):

  • Fomos pioneiros em apontar os efeitos deletérios que a política de desoneração da folha de pagamentos da previdência social traria para cidadania social conquistada em 1988 (Leia aqui).
  • Fomos o primeiro grupo de pesquisadores que criticou os ensaios do governo federal para expandir a oferta de planos de saúde, subsidiando as operadoras e seguradoras privadas, em flagrante contradição com os princípios do SUS (Leia aqui). Essa ação conjunta com as entidades do movimento social no campo da saúde (parceiras da Plataforma) ensejou diversas manifestações públicas contrárias, incluindo a Comissão de Seguridade Social e Família do Congresso Nacional.
  • Fomos um dos primeiros núcleos que se insurgiram contra o mito da “nova classe média” impulsionado pela Secretaria das Relações Estratégicas da Presidência da República. Essa atitude resultou no livro “A Nova Classe Média no Brasil como Conceito e Projeto Político”, organizado em parceria com a Fundação Heinrich Böll no Brasil e o Le Monde Diplomatique Brasil, parceiros da Plataforma (Leia aqui).
  • No caderno “Política Social e Desenvolvimento: o Brasil entre dois Projetos” diversos autores criticam o fato de que, intramuros ao governo de Dilma Rousseff, ocorrem tensões entre os projetos liberal e “social-desenvolvimentista”, com implicações negativas sobre os rumos da proteção social brasileira(Leia aqui).
    Uma diversidade de outros artigos também analisam criticamente as ações de governo. Exemplos disso são os textos publicados por Ana Maria Costa, Lena Lavinas e Carlos Octávio Ocké-Reis.

Esses são apenas alguns exemplos da postura ética que baliza nossas contribuições ao debate. Uma consulta ao site revelará inúmeras outras condutas semelhantes.

Nossos Mestres e Patronos

Procuramos seguir os ensinamentos de pensadores que interpretaram o Brasil de forma original e crítica como Caio Prado Junior, Darcy Ribeiro, Florestan Fernandes, Gilberto Freyre, Otávio Ianni e Sérgio Buarque de Holanda, dentre outros.

No campo econômico, reverenciamos autores como Aníbal Pinto, Celso Furtado, Ignácio Rangel e Raul Prebisch, cujo esforço intelectual promoveu uma profunda revolução na história do pensamento econômico e no ensino de economia no Brasil.

Temos respeito pelo legado de intelectuais de diferentes escolas de pensamento como, por exemplo, Anísio Teixeira, Carlos Lessa, Fernando de Azevedo, João Manuel Cardoso de Mello, Paulo Freire, Vilmar Faria e Wilson Cano.

Homenageamos Maria da Conceição Tavares, Luiz Gonzaga Belluzzo e Aloisio Teixeira (em memória) como patronos da Plataforma . Em vida, Aloisio Teixeira participou das reuniões iniciais e foi um dos maiores incentivadores da constituição da rede.

Nossos Objetivos

A Plataforma se pauta em quatro objetivos principais.

  1. Contribuir para a construção coletiva de um Projeto Nacional de Desenvolvimento

O primeiro objetivo é contribuir para a construção coletiva de um projeto nacional de desenvolvimento que incorpore as múltiplas faces da dimensão social. Reconhecemos que nos últimos anos foram engendradas alternativas ao modelo econômico que vinha sendo implantado desde 1990; essas alternativas resultaram na inequívoca melhoria dos padrões de vida da população (Leia aqui).

Não obstante, os avanços recentes não apagaram as marcas profundas das desigualdades sociais que têm raízes históricas herdadas do passado escravocrata, do caráter específico do capitalismo tardio, da curta experiência democrática do século 20.

Entendemos que o caminho para um país mais justo requer que se enfrentem todas as faces da desigualdade social. Isso exige a formulação de um novo projeto de transformação na perspectiva do desenvolvimento, o que coloca novos desafios ao pensamento estruturalista: além dos instrumentos econômicos tradicionais, o desenvolvimento também requer ações voltadas para promover uma sociedade mais igualitária pela via da universalização da cidadania social.

Procurando perseguir esta trilha, em apenas dois anos de existência, desenvolvemos diversas atividades:

  • Colaboramos com nossos parceiros (Instituto de Economia da Unicamp, Rede Desenvolvimentista e Centro de Gestão e Estudos Estratégicos) para a organização do Seminário “Desafios e Oportunidades do Desenvolvimento Brasileiro – Aspectos Sociais”, que reuniu 51 especialistas da Plataforma em torno de 12 mesas temáticas. Aíntegra do seminário foi disponibilizada em vídeo. Também disponibilizamos os comentários pós-conferências de palestrantes e coordenadores de mesas (aqui).
  • Contribuímos para a elaboração do documento “Desafios ao desenvolvimento Brasileiro: uma abordagem social-desenvolvimentista”, que consolida os resultados e propostas que emergiram do referido seminário.
  • Procuramos interpretar o significado dos protestos populares de junho de 2013. Argumentamos que a reivindicação de que “o cidadão, e não o poder econômico, esteja em primeiro lugar” recoloca o conflito redistributivo no centro do debate nacional o que, obviamente, fortalece a necessidade da construção coletiva de um novo projeto de transformação nacional (Leia aqui).
  • A Plataforma colaborou para a realização do evento Challenges and limits of redistributives policies in Latin America” realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, em conjunto com a Universidade Livre de Berlin (setembro de 2013).
  • Desse evento resultou a coletânea “A Moment of Equity in Latin America? Challenges for Redistribution” (ISBN: 978-1-4724-4672-5), em vias de publicação.
  • Lançamos aRevista Política Social e Desenvolvimento (ISSN: 2358-0690), que já se encontra na 7ª edição.
  • Mais de 40 membros da Plataforma participaram da elaboração dos dois volumes da obra “Políticas Sociais, Desenvolvimento e Cidadania”, organizado pela Fundação Perseu Abramo (Leia as versões em PDF dos dois livros: o primeiroaqui e o segundo aqui).
  • Contribuímos como parceiros do Instituto de Economia da Unicamp, da Rede Desenvolvimentista e do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos para a organização do projeto “Ampliação do foro de discussão de temas para o desenvolvimento brasileiro – aspectos econômicos e sociais”, cujo objetivo é integrar a abordagem das dimensões econômicas e sociais do desenvolvimento brasileiro. Foram realizadas três oficinas de trabalho em Campinas (junho de 2014), disponibilizadas em vídeo: Desenvolvimento e Mobilidade (aqui); Desenvolvimento e Saneamento (aqui); e Desenvolvimento e Educação (aqui).
  • Muitos de nossos membros contribuíram para a elaboração do livro “Presente e futuro do desenvolvimento” recém-lançado pelo IPEA, que promove uma atualização do debate brasileiro sobre o desenvolvimento capitalista tardio, periférico e dependente, bem como sobre o fenômeno do “desenvolvimentismo”. Nesses termos, retoma a tradição crítica e reformista brasileira da “construção nacional interrompida” de Celso Furtado.
  • Também colaboramos para a realização do debate “Eleições e Perspectivas para o Enfrentamento da Questão Social Brasileira”, realizado pelo Programa de Pós-graduação em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento, do Instituto de Economia, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (PPED-IE/UFRJ) e pelo Centro Internacional Celso Furtado para o Desenvolvimento (Setembro de 2014).

 

  1. Articular as dimensões econômica e social do desenvolvimento

O segundo objetivo da rede Plataforma Política Social é enfrentar o desafio metodológico de analisar a política social brasileira como um todo, pelo conjunto dos setores que a compõem, e suas relações com a economia e a política. Trata-se de tarefa complexa, dado que a nossa tradição analítica é notoriamente marcada por estudos de corte setorial.

Para atuar neste sentido, nos dois anos de existência da rede, publicamos mais de 80 boletins semanais divulgando artigos, livros, textos para discussão, seminários e entrevistas realizadas por membros da rede ou instituições parceiras.

 

  1. Contribuir para mitigar a fragmentação do campo progressista

O terceiro objetivo da rede é contribuir para mitigar a fragmentação da luta política do campo progressista. Com a hegemonia dos mercados desregulados, a sociedade perdeu capacidade de conter o ímpeto desagregador das forças de mercado. Existe clara assimetria na representação política, em favor dos interesses do poder econômico. A esfera pública foi esvaziada e prevalecem os valores do individualismo e da meritocracia. Os Estados Nacionais foram enfraquecidos e perderam a capacidade de coordenar projetos de transformação. Forjaram-se cultura e ideologia retrógradas em relação ao desenvolvimento. Esse quadro mais geral tem influenciado a ação dos movimentos sociais, partidos políticos e sindicatos do campo progressista.

O papel que se espera dos partidos políticos progressistas como instituições articuladoras das demandas da sociedade numa perspectiva de transformação foi esvaziado nas últimas décadas. O ataque ao poder dos sindicatos, protagonista das transformações sociais no capitalismo, foi um dos focos da investida neoliberal. Esse enredo interfere na ação do movimento social em seu conjunto. Como se sabe, é da natureza destas mobilizações setoriais tratar de temas também setoriais ou específicos. Mas na ausência da ação mobilizadora dos partidos, observa-se a fragmentação das pautas de luta política em torno de questões muito específicas. Em geral, perdeu-se a perspectiva de que pouco poderá ser feito em termos setoriais na ausência de um projeto mais amplo de transformação.

Tampouco a academia escapa desta lógica. Em relação ao passado, sobretudo nos anos de 1950 a 1980, são poucos os trabalhos que debatem as questões nacionais na perspectiva do desenvolvimento. O tema é complexo e reflete, em alguma medida, os valores do individualismo, da meritocracia e da produtividade que infelizmente foram enraizados no seio das universidades.

 

  1. Intervir no Debate de Ideias e Valores em Nível Nacional

O quarto objetivo da rede é intervir criticamente no debate sobre a política social brasileira que, usualmente, é pautado pelas forças do mercado. A iniciativa para a criação da rede partiu da constatação de que o campo progressista não tem espaços nos grande meios de comunicação para contribuir para o debate democrático de ideias. Esse fato acentuou-se na campanha eleitoral de 2014, na qual dois projetos econômicos e sociais estavam em disputa.

Nesse cenário algumas tentativas de publicar “réplicas” nos jornais de grande circulação foram negadas pela alegação de “falta de espaço”. Com raras exceções, o jornalismo brasileiro se transformou num folhetim partidário, que passa ao largo da isenção técnica e não pauta o debate sobre os grandes temas nacionais. Diante desse quadro, é natural que os autores-membros procurem divulgar seus pontos de vista em veículos como a Plataforma Política Social.

No recente debate eleitoral, muitos desses autores manifestaram críticas sobre os projetos de Marina Silva e Aécio Neves, em função da visão de que aqueles projetos não caminham na perspectiva do desenvolvimento que estamos buscando aprofundar. Essas críticas foram fundamentadas nos programas de governo, nas declarações públicas dos candidatos e de seus assessores econômicos Armínio Fraga (PSDB) e Eduardo Giannetti (PSB), por exemplo.

Em função desses fatos, diversos autores-membros exerceram o seu legítimo direito ao contraditório. Longe de fazer proselitismo político, todos os artigos publicados pela Plataforma Política Social estão embasados em dados estatísticos, na experiência acumulada e na excelência acadêmica dos autores. O leitor julgue por si mesmo pela leitura de apenas alguns dos textos que enfrentaram esse debate democrático de ideias:

  • Andre Biancarelli (Programa de Marina Silva aposta no radicalismo financeiro) (aqui).
  • Bruno de Conti (Por trás dos candidatos, os programas de governo) (aqui).
  • Eduardo Fagnani (Escolhas cruciais, futuro incerto) (aqui).
  • Jose Dari Krein e Vitor Filgueiras (Ofensiva do capital e propostas aos candidatos à presidência).
  • Leda Paulani (O terrorismo econômico dos mercados) (aqui).
  • Pedro Paulo Zahluth Bastos e Marcio Pochmann (Retórica tucana e mito da evolução natural) (aqui); e,
  • Pedro Rossi (Metas de inflação, um debate necessário) (Metas de inflação, um debate necessário) (aqui);

Os referidos artigos destacam implicações negativas do conservadorismo macroeconômico sobre as possibilidades do desenvolvimento. Observe-se que o professor Luis Gonzaga Belluzzo (A independência do Banco Central) também aponta nesta direção.

O mesmo fez a professora Maria da Conceição Tavares, que sentenciou: “A independência do Banco Central é outra patetada”. Segundo ela, “não há nenhum banco central independente, meu bem! O dos Estados Unidos, que devia ser o paradigma, não é independente, como é que o nosso seria? Independente quer dizer o que, hein? Não quer dizer nada. Independente do governo? Do mercado? Das metas da política econômica? Independente não quer dizer porcaria nenhuma!” (aqui).

 Acusar esses professores eméritos de fazerem proselitismo político seria uma infâmia sem precedentes.

Esses são apenas alguns exemplos. Mas existe uma diversidade de outros trabalhos. O leitor poderá entrar no site e julgar por si.

É importante sublinhar que as análises críticas não pouparam o projeto da candidata do Partido dos Trabalhadores. Como exemplo, escrevemos (aqui) que o desafio para a próxima quadra é avançar além do “modelo de transformação lenta e dentro da ordem” que tem pautado a atuação do partido no governo desde 2003. Também foi destacado que “o principal calcanhar de Aquiles desse projeto é a gestão macroeconômica que, até o momento, manteve, apesar de breves impulsos de afastamento, o ortodoxo “tripé” macroeconômico (meta de inflação, superávit fiscal e câmbio flutuante) introduzido em 1999 por FHC, cuja lógica não converge com um novo projeto de transformação social”.

A razão do nosso entusiasmo

A Plataforma Política Social tem como principais canais de comunicação seu site (www.plataformopolíticasocial.com), uma revista eletrônica que se encontra na 7ª edição (www.revistapolíticasocialedesenvolvimento.com), um boletim semanal (enviado a 60 mil pessoas) e a rede social (https://www.facebook.com/PlataformaPoliticaSocial) onde se dá o relacionamento direto e ativo com nosso público. Nesse caso, temos mais de 18 mil seguidores, número que permite um alcance semanal que varia de 100 a 500 mil pessoas. A média diária de usuários que se envolvem de algum modo com os conteúdos da Plataforma varia de 12 a 40 mil usuários.

A razão do nosso entusiasmo é que a faixa etária predominante é a de jovens e jovens adultos de 18 a 34 anos (71% dos nossos leitores) espalhados por todos os estados brasileiros e em mais de 40 países. Em geral, são estudantes de graduação e pós-graduação em economia, sociologia, ciência política, saúde pública, assistência social, habitação e urbanismo e educação.

Esses dados comprovam que a Plataforma tem-se consolidado como um meio de compartilhamento de conhecimento no campo do debate democrático de ideias voltado para a construção de um país melhor, com a juventude das universidades, dos movimentos sociais, do serviço público e das diversas entidades da sociedade civil.

Em relação às críticas pessoais esclareço que meu único patrimônio é a bagagem intelectual e a capacidade de reflexão crítica acumuladas em 30 anos como professor e pesquisador do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas, onde sempre procurei debater os desafios para a construção de um país mais justo. Não sou filiado a nenhum partido político, nunca mudei de lado em minhas convicções e não há um único fato na minha trajetória que possa ser visto como apequenando a Unicamp, que continua sendo uma instituição de formação de pesquisadores e pensadores do maior gabarito, cumprindo sua missão original.

Eduardo Fagnani
Professor do IE/UNICAMP, pesquisador do CESIT e coordenador da rede Plataforma Política Social – Agenda para o Desenvolvimento.

Nota

  • Ação Educativa; ActionAid; Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); Associação Brasileira de ONGs (ABONG); Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco); Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP); Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP); Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES); Bergstraesser Institute ( Alemanha); Cambridge University (Inglaterra); Central Única dos Trabalhadores (CUT); Centro Brasileiro de Estudos de Saúde (CEBES); Centro de Estudos de Conjuntura e Política Econômica (CECON/(IE/UNICAMP); Centro de Estudos de Cultura Contemporânea (CEDEC); Centro de Estudos de Desenvolvimento Econômico (CEDE/IE/UNICAMP); Centro de Estudos de Relações Econômicas Internacionais (CERI/IE/UNICAMP); Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (CESIT/IE/UNICAMP); Centro de Estudos sobre Desigualdade e Desenvolvimento (CEDE/UFF); Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE); Centro Feminista de Estudos e Assessoria (CFEMEA); Centro Interdisciplinario para el Estudio de Políticas Públicas (CIEPP/Argentina); Centro Internacional Celso Furtado de Políticas para o Desenvolvimento; Cidade do Conhecimento (USP); Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL); Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro da CUT (Contraf-CUT); Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES); Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE); Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (EBAPE/FGV); Escola de Magistratura Federal do Paraná; Escola de Sociologia e Política de São Paulo; Escola do Legislativo do Estado de Minas Gerais; Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP/FIOCRUZ); Escola Nacional de Saúde Pública (Lisboa); Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP); Faculdade de Direito (USP); Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra; Faculdade de Educação (Unicamp); Faculdade de Medicina da UFMG; Faculdade de Medicina da USP; Faculdade de Saúde Pública da USP; Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social; Fórum Nacional pelo Saneamento Ambiental (FNSA); Fundação do Desenvolvimento Administrativo (FUNDAP); Fundação Economia de Campinas (FACAMP); Fundação Friedrich Ebert; Fundação Getúlio Vargas (FGV); Fundação Heinrich Böll do Brasil; Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Fundação Perseu Abramo; Grito dos Excluídos (CNBB); Grupo de Estudos e Pesquisas em Seguridade Social e Trabalho (GESST/UNB); Institut Des Ameriques (França); Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase); Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Instituto de Economia da UNICAMP; Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC/UFRJ); Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP/UERJ); Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC); Instituto de Medicina Social (IMS/UERJ); Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA); Instituto Humanitas Unisinos; Laboratório de Estudos e Pesquisas em Políticas (Laept/UFPB); Laboratório de Habitação e Assentamentos Urbanos (LabHab/FAU/USP); Le Monde Diplomatique Brasil; Ministério da Previdência Social (MPS); Ministério da Saúde; Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS); Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPO); Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MST); Movimento Nacional de Direitos Humanos; Núcleo de Avaliação de Políticas (NAP/UFF); Núcleo de Economia Industrial e da Tecnologia (NEIT/IE/UNICAMP); Núcleo de Estudo de Políticas Públicas (NEPP/UNICAMP); Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Seguridade e Assistência Social (NEPSAS/PUC-SP); Núcleo de História Econômica (NHE/IE/UNICAMP); Pastoral da AIDS (CNBB); Pontifícia Universidade Católica (PUC-RGS);Pontifícia Universidade Católica (PUC-RJ); Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP); Prefeitura de São Paulo; Procuradoria Geral do Estado (São Paulo); Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade (CPDA/UFRJ); Programa de Pós-Graduação em Urbanismo (PROURB/FAU-UFRJ); Rede Brasil Atual; Rede Desenvolvimentista (IE-UNICAMP); Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil (SINDIFISCO NACIONAL); The New School for Social Research (N.York); Universidade de Berlin (Alemanha) ; Universidade de Brasília (UNB); Universidade de Newcastle (Inglaterra); Universidade de São Paulo (USP); Universidade Estadual de Campinas; Universidade Estadual de Londrina; Universidade Estadual de Ponta Grossa; Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (UNESP); Universidade Federal de Juíz de Fora (UFJF); Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG); Universidade Federal de São Carlos (UFSC); Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Universidade Federal de Uberlândia (UFUB); Universidade Federal do ABC; Universidade Federal do Paraná (UFPR); Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFFRRJ); Universidade Federalda Bahia (UFBA); Universidade Livre de Berlim (Alemanha); e University Lecturer in the Political Economy of Latin America (University of Oxford).

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